Nota de Imprensa do STSSSS Sobre PSU e Trabalho Social


COMUNICADO DE IMPRENSA

AO CONTRÃRIO DO QUE PRETENDE O GOVERNO, É PRECISO VALORIZAR O TRABALHO SOCIAL
Não podemos deixar de nos indignar da forma como o Governo fez entrar à socapa para votação um
documento desta importância, e sem ouvir especialistas, atores relevantes, as principais Associações de
combate à pobreza, as Instituições de Solidariedade Social e os Sindicatos representativos do Sector Social.
É sinal de total desrespeito pelas pessoas em situação de pobreza e de todos os que todos os dias lutam e
trabalham pela sua erradicação.
A mais recente decisão do governo que consiste em juntar no mesmo saco 13 prestações sociais e obrigar os
beneficiários à prestação de 15 horas semanais de trabalho social, desde logo pela insensibilidade que denota
em relação à dignidade das pessoas, merece por parte do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade
e Segurança Social o mais vivo repúdio. Subjaz a esta decisão a ideia de que os beneficiários são de algum
modo culpados pela sua pobreza e, como tal, devem cumprir uma pena através do trabalho, como se o trabalho
fosse uma espécie de castigo.
Mas, sobretudo no que respeita ao trabalho realizado nas instituições de solidariedade, designadamente IPSS
e Misericórdias, esta decisão do governo é especialmente grave e denota um total desconhecimento da
realidade do setor e ao mesmo tempo um aprofundamento da desvalorização dos seus trabalhadores já
patente na baixa contribuição do Estado para as instituições que se vem a refletir nos mais baixos salários
pagos em toda a economia portuguesa. Esta tentativa do governo, com o apoio claro da extrema direita
parlamentar, de passar a ideia de que o trabalho desenvolvido pelos trabalhadores das instituições pode ser
feito por qualquer um, não só é desmentida pela prática do dia a dia, como denota um total desconhecimento
em relação a um passado próximo, na altura do Covid, em que se tentou reconduzir trabalhadores sem
condições ou formação para laborar nas estruturas residenciais, sem qualquer sucesso.
Pretendeu-se na altura a colocação nestas estruturas de trabalhadores cujos conteúdos funcionais não se
adequam com o trabalho que ali é realizado, como é o caso, entre outros, de Ajudantes de Ação Educativa que
foram colocadas em ERPIs (Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas) a fazerem higiene pessoal a idosos
acamados ou a coisa mais estapafúrdia que poderia passar pela cabeça de alguém que seria o “desvio†de
trabalhadores da hotelaria e turismo para a realização do trabalho altamente especializado realizado pelas
Ajudantes de Ação Direta.
Hoje como então o que Luís Montenegro e o governo pretendem na realidade é desvalorizar os elevados níveis
de formação e competência que tem atualmente esta classe profissional, como se de trabalhadores
indiferenciados se tratasse e assim normalizar os baixos salários auferidos por estes profissionais e ao mesmo
tempo lançar uma nuvem de fumo sobre os reais problemas das pessoas como os elevados custos da
habitação, dos géneros de primeira necessidade, dos combustíveis e da energia, esses sim que deveriam ser a
prioritária preocupação do governo, mas para os quais não consegue ou não quer apresentar soluções.
O trabalho social é um trabalho altamente especializado e não deve servir como uma pena para quem está
em situação de pobreza.


Porto, 01 de junho de 2026
Pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social
O Coordenador: Joaquim Espírito Santo



«ver mais»

Sindicaliza-te











Autorizo que os meus dados pessoais, acima identificados, sejam tratados pelo STSSSS para efeitos de sindicalização, nos termos do Regulamento Geral de Protecção de Dados.